Eu tinha uma sogra que era a personificação de uma praga, daquelas bem mulambentas e incuráveis. Inconveniente, invejosa e doida, mas doida pra me ver ferrada, a dona “Ijirda” Era muito claro, bastava eu errar para ouvir um “Mas eu não dixe?” (ela tinha língua presa). Já a filha, minha meiga cunhadinha, era ex-gorda, o que incluía uma longa lista de traumas e inseguranças despejados em mim, que na época ostentava um corpo de somali (e em represália, acabei apelidando a coitada de Reporquinha). As duas se empenhavam em me aporrinhar a vida, fosse me entupindo de comida, ou rogando praga nos meus planos.
Me livrei de vez quando terminei com o - não menos tonto - namorado e fui fazer intercâmbio. Depois disso, nunca mais vi dupla.
Hoje, na Rebouças, estava eu virando poça em um ônibus, quando olho pra baixo e vejo um Palio abarrotado. Eram as duas. Feias, redondas, suadas, despenteadas, Alcéia e Meméia vão a São Paulo. Ao descer do ônibus para atravessar a avenida, me vinguei. Muito carão, olhar no infinito e...“oooi!”. Sorrisinho falso e tchauzinho afobado. Não recebi a melhor das recíprocas, confesso.

