O dia em que a música chiclete brasileira causou um surto no meu vizinho
Alguém lembra da febre do P.O. Box? E da droga do "bun-chi-bum"? E das músicas monotemáticas do Claudinho & Buchecha? Agora, me digam: quem um dia não se irritou com a repetição exaustiva desses "hits" no rádio? Hoje cedo, descobri mais um feito maligno do pop-irritante da cantora Luka, o tal "Tô nem aí".
Era 7h12 da manhã, eu estava enrolando para acordar, quando ouço o vizinho de baixo proferir um alto, sonoro e ensandecido palavrão. Seguido veio um barulho de porta batendo e mais palavrão:
- Cadeeeeela, isso lá é hora? Isso, canta, vadia, canta!!!
Imaginei que fosse algum Marcos de plantão, dando suas raquetadas na esposa e pedindo para ela cantar, algo assim. Eu já desconfiava que a vizinha debaixo tomasse uns cacetes do marido, naquele apartamento só sai grito. Mas não. Miguel, muito enxerido, foi conferir. Eu fiquei no quarto, confesso, com medo de represálias. Aí que ouvimos:
- Isso, canta mesmo, tô nem aíííí, tô nem aííí. Sete horas da manhã, isso não é hora, cadela!
Era o homem do primeiro andar, na área de serviço, xingando (e bem) a mulher do segundo andar. Ela, muito provavelmente, estava cantando a maldita canção aos brados, logo cedo. E ele surtou, com todo o direito. Eu surtaria também.
Os lançamentos musicais mais recentes deviam vir com aqueles avisos como nos cigarrros. Imagine um cd da Wanessa Camargo, com uma tarja dizendo "O Ministério da Saúde adverte: cantar junto com a música por causar desgastes das cordas vocais" - o mesmo serviria para o KLB. Com certeza isso evitaria ataques maiores e menos pessoas seriam agredidas logo cedo.
Alguém comigo?