segunda-feira

agora que trabalhamos na agência que é um espetáculo, talvez achemos bonito fazermos papel de palhaço. por isso, nós resolvemos dar trote nos estagiários, vindo vestidos de roupa social pra trabalhar. bom, nem precisa dizer que eu perdi uma hora da minha manhã tentando passar a minha única camisa branca, porque o ferro é novo e eu não sabia bem onde ficava o máximo e o mínimo. aí trouxe o salto numa sacola, e, antes de entrar no prédio, tirei as botas.
não precisa dizer que mal entrei, já vi que não era todo mundo que tinha entrado na brincadeira, a começar do chefe. ele foi o que mais botou pilha, e no fim da pranked fui eu. alguns meninos capricharam, vieram de camisa e gravata, tá todo mundo parecendo bancário. os estagiários nem devem ter notado, e agora a brincadeira tá começando a perder a graça. acho que vou tirar o salto e o suspensório.
e isso me lembra... mais um grand cirque du mique!

o ano era de 97, o inverno era sanroquense, e a festa era junina. minhas amigas já eram as desanimadas da silva. estávamos nessa festa junina à tarde, e nos preparávamos para uma outra, noturna, no clube. era organização da bicha-mor da cidade, então ia ter quentão com glitter, saia de patchwork com plataformas travestísticas, essas coisas. aí uma mais malucona falou: vamos de caipira? na hora, eu, a apreciadora soberana dos micos de qualquer natureza, topei. ninguém vai furar? nããão. ó que eu vou, hein? vaaaaai. ok, fui. fui prá casa e botei abaixo o armário da minha mãe. tirei saia comprida, bota de cano alto, camisa xadrez, convoquei o namorado, que foi se arrumar em casa, tiramos fotos e saímos. bom, ele não tava de caipira, ele ERA caipira. já eu, tinha até pintinha na cara.
needless to say, NINGUÉM apareceu. eram eu, vivian - a amiga meio maluca - e as drags. na época era moda usar saia longa de veludo (deus que me defenda desse comeback) com camisa, então a vivian só precisou tirar as tranças, as pintinhas, e tava como uma cidadã normal e fashion. e eu? o que eu fazia com aquela saia dos PAMPAS e a camisa DO MEU PAI? as trancinhas eram o de menos. passei a noite me pegando com meu namorado, que ao menos isso eu podia fazer sem ser tão ridícula. no mais, eram dois caipiras amando, olha que bonito. e por quase dez anos, eu não acreditei mais em "vamos nos vestir de's". claro, até hoje.

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