segunda-feira

parto hoje à noite, levando só as imagens boas desse ano.
o resto, já apaguei.
adeuszinho!

sábado

às 5h30 da manhã, embaixo de um edredon com o joelho ralado e a cabeça latejando, o jorge pulou em cima de mim e gritou "só mais três dias! só mais três dias!". só mais três dias. porra nenhuma feita. tá, meia-porra nenhuma feita. uns três ou quatro deveres impostergáveis para resolver em horário comercial. uma cena maravilhosa de gratidão e maturidade (adicione ironia a gosto). pelo menos eu fechei minha conta.
preciso terminar minha mala, preciso fazer um checklist de tudo que preciso levar, pegar, mandar fazer, ter em mãos. tudo isso prá eu poder esquecer um pouco dessa vida que eu levava até agora. e, sinceramente, não quero, agora, ter nenhuma lembrança.
peguei hoje meu schedule, cada dia eu trabalho um horário, quando trabalho. tem que fazer inventário e reunião toda semana, e eu nem sei como funciona isso, mas mesmo assim eu quero fazer inventário. to louca prá fazer inventário!

quinta-feira

só acalmei depois de ouvir que "a raiva vai passar quando as pessoas raivosas estiverem na sua pele, assim como você agora disse estar na minha". pronto, bicho, é isso.
eu sabia que devia ver o rodrigo mais vezes.
Meninos do Rock.
matéria minha para o Chic. ou "como correr atrás de roqueiros sem ao menos ser groupie".

quarta-feira

era você no meu quarto, não era?
porque de duas semanas prá cá, minha vida parece que tem sido uma avalanche de perdas, e medo, e mais medo ainda do que vem e do que pode acontecer. e eu estava em casa, com medo de ficar em casa, querendo uma companhia que eu não sabia dizer qual, achando que aquela noite eu não ia dormir, mas, no entanto, estava indo para cama antes das onze, munida de sudoku e "of mice and men" e suas coisas. ao fechar a porta, alguma coisa entrou por uma fresta.
no começo achei que fosse um morcego e gritei. sabe um grito de medo/pânico? a vizinha deve ter estranhado. mas era uma borboleta preta do tamanho do meu pé - que para humanos pode não ser grande coisa, mas em se tratando de borboletas, é um avanço - que ficou dando com a cabeça no teto enquanto eu fiquei parada uns cinco minutos, com a mão na boca, esperando o susto passar. quando ela parou, no meu armário, impondo a sua presença mesmo a janela estando aberta, eu sentei na cama e esperei que ela saísse. e nada. o meu medo foi passando, fiquei sentada lendo nossas coisas e digerindo.
caí no sono, e só fui acordar oito horas depois, com o barulho das asas dela na minha cabeceira. só então ela viu a janela aberta, e foi embora.
era você, só podia ser você.

sexta-feira

é tanta coisa que um blog não comporta, acho que volto ano que vem.

não não não, nada de emo, nada de drama, nada de alarme. é preguiça e falta de tempo, mesmo.

terça-feira

Acho que agora eu posso falar. Em 13 dias, estarei fora do país, para uma jornada de quatro meses de trabalho. Sim, este blog corre sério risco de ficar às moscas. Mas o que eu queria contar era da minha saga em busca de um visto.
Tudo começou no dia que chegou um e-mail da agência que tá organizando essa viagem, dizendo todos os documentos que eu precisava, depois de já ter conseguido uma caralhada deles para tirar passaporte e fazer a inscrição, pra obter meu J-1. Entrei em pânico, claro, mas logo mandei um e-mail para papai dizendo "arruma as coisa aí da Craudia que tá beleza". E fui atrás dos meus dicu. Vou repetir: era MUITA coisa.
Ontem, terminada a correria, fui na agência, conferi tudinho, paguei as 800 taxas, redigitei os DSs, fiz letrinha caprichada, separei tudo com clips por seção, botei num folder e então numa pasta. Só faltou um carimbinho de uva, e eu tirava dez.
Aí hoje acordei bem cedo, peguei um ônibus, um táxi, uma fila, duas filas, três filas (todas cheias de gente mal-educada, vale lembrar), até chegar de fato na entrevista. Me postei à frente da cabine, sorri, peguei o telefone e o gringo começou, num português de dar dó:
- Vai pra onde?
- Aspen.
- Já fez intercâmbio, né? Onde foi?
- Tampa, Florida.
- Quando se forma?
- Ano que vem.
- Boa viachen.
O quê? Não vai nem ver o comprovante de matrícula, os impostos de renda, as milhares de xerox que eu tive que tirar? Como assim boa viagem? Pois, tive que ir embora, visto concedido, mas eternamente frustrada por tanto desdobramento pra nada. E ainda me forçaram a pagar pelo sedex. Humpf.

sexta-feira

No mais, um texto que me comovéééu. O autor sabe que é o autor.

"B. tem muita coisa embaixo do tapete. Mas B. não tem mais esqueletos no armário. Breve, muito breve, mais breve que gostaríamos, B. não terá armário sequer.
Corre, B., o mundo que chama a todos, mas lhe fazemos ouvidos moucos. Não eu, menos B., que sabe (ou soube) andar, flanar e saltar.
Com todo o medo do mundo, mais os seus (e alguns dos meus), B. não se deixará furtar. Abocanhou o que se lhe foi oferecido e não pode mais voltar.
Mas, nessa pressa toda de saber alhures, B. não esquece de mim, que pouco fiz, que tanto quis. B. me toca e me faz seu sempre: mesmo distante.
Mesmo involuntariamente.
B. não está sozinha. Não lhe é mais permitido."

quarta-feira

Minha admiração e respeito pelo meu avô sempre foram notórios. Assim como o sentimento de impotência quando ele ficou doente. De um ano para cá, nos custou entender que aquele senhor alto, forte, inteligente, lúcido, estivesse fraco, e foi por isso que as filhas, os genros e os netos se desdobraram para assumir todas as responsabilidades e cuidados com ele. Mas chegou uma hora que não deu, e tudo que ele menos queria para o fim da vida - passar o dia entubado, numa cama - aconteceu, como uma infelicidade do destino.
Domingo ele finalmente descansou. Tinha sido um dia bonito, acordei cedo para tomar sol, minha tia apareceu com minha avó, minha mãe fez almoço, rimos, bebemos, capotamos na sesta e, ao acordar, veio a notícia. Novamente nos desdobramos, veio pai, veio tio, veio primo, cada um para fazer alguma coisa e, principalmente, amparar àqueles que ele deixou. O mais dolorido foi encarar a dor de minha tia e minha avó. Quero mais que tudo que elas fiquem bem.
E dele, o Mário das histórias cheias de lição de vida, eu vou guardar todo o meu aprendizado. E o humor cortante, e a simplicidade pra fazer a coisa certa.
Por que toda vez que eu deixo um emprego, no dia seguinte passa "Curtindo a Vida Adoidado" na Sessão da Tarde?
(e eu fico com febre?)