quarta-feira

era você no meu quarto, não era?
porque de duas semanas prá cá, minha vida parece que tem sido uma avalanche de perdas, e medo, e mais medo ainda do que vem e do que pode acontecer. e eu estava em casa, com medo de ficar em casa, querendo uma companhia que eu não sabia dizer qual, achando que aquela noite eu não ia dormir, mas, no entanto, estava indo para cama antes das onze, munida de sudoku e "of mice and men" e suas coisas. ao fechar a porta, alguma coisa entrou por uma fresta.
no começo achei que fosse um morcego e gritei. sabe um grito de medo/pânico? a vizinha deve ter estranhado. mas era uma borboleta preta do tamanho do meu pé - que para humanos pode não ser grande coisa, mas em se tratando de borboletas, é um avanço - que ficou dando com a cabeça no teto enquanto eu fiquei parada uns cinco minutos, com a mão na boca, esperando o susto passar. quando ela parou, no meu armário, impondo a sua presença mesmo a janela estando aberta, eu sentei na cama e esperei que ela saísse. e nada. o meu medo foi passando, fiquei sentada lendo nossas coisas e digerindo.
caí no sono, e só fui acordar oito horas depois, com o barulho das asas dela na minha cabeceira. só então ela viu a janela aberta, e foi embora.
era você, só podia ser você.

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